As corridas de drones

corrida de droneNão faz muito tempo que começaram a surgir os drones, também conhecidos como veículos aéreos não tripulados, inicialmente eram apenas itens do arsenal de exércitos ao redor do mundo. Um pouco mais recentemente, porém, os drones começaram a servir para outros usos, como filmagens, apenas para dar um exemplo, e então surgiram modelos que qualquer um poderia comprar, e começar a voar com essas pequenas máquinas voadoras, controladas remotamente.

Mas o que se tornou um hobbie para muita gente antenada em tecnologia começou a ganhar um novo formato. São as corridas de drone que estão apenas começando a se popularizar, ganhando circuitos através do mundo, algumas ligas, e até mesmo um campeonato mundial. No ano passado, em Dubai, o vencedor do que foi considerado a maior corrida de drones do mundo chegou a faturar um prêmio bastante significativo: 250 mil dólares.

Os drones de corrida possuem velocidades que chegam a cerca de 150 Km/h, e as corridas tem sido chamadas de corrida de drones em FPV, sigla para “first person view” ou visão em primeira pessoa, em português. É que os drones de corrida são equipados com câmeras frontais, que enviam os sinais para um óculos de realidade virtual que o piloto usa, e pode manejar o drone de uma distância próxima de 1 quilômetro. O piloto vê como se estivesse de fato pilotando uma máquina voadora, e muitos deles chegam a comparar as corridas de drones com as corridas de pods em Star Wars.

Organizadores, pilotos, fãs e a própria mídia parecem ter apenas uma única questão, e um desejo agora: Se as corridas de drone podem, e se vão de fato tornar-se um esporte. A própria ESPN, canal americano de esportes, já entrou nessa aposta, pois vai televisionar um campeonato de corrida de drones nos Estados Unidos. Junto com ela veio também a SKY, que investiu 1 milhão de dólares para televisionar o campeonato britânico de drone racing.

Corrida de drones se tornará esporte?

As corridas de drone, que já existem há cerca de 2 anos, parecem ter tudo para realmente se tornar um esporte, e ao que tudo indica, é bem difícil que se tome caminho inverso. Por todo o mundo, o campeonatos nacionais começam a acontecer e ligas diversas começam também a se formar. Os investimentos também são pesados, e o prêmio para o vencedor de uma única corrida já chegou a 250 mil dólares.

corrida de drone

Como se não bastassem os campeonatos, as ligas, as centenas de pilotos, o público e os prêmios exorbitantes, as corridas de drone chegaram ao mundo corporativo, chamando a atenção de gigantes como a SKY e a ESPN, canais de televisão que passaram a investir milhares, até um milhão de dólares, como no caso da SKY, apenas para poder transmitir as corridas, que cada vez ganham mais adeptos ao redor do mundo.

O esporte do futuro parece ter sim chegado, agora não é mais coisa de ficção científica, e só tende a crescer cada vez mais. Há também aqueles que apostam na corrida de drones como a Fórmula 1 do futuro, porque as corridas de drone são muito mais baratas, e também muito mais seguras do que o automobilismo.

As corridas de drone juntam a paixão pelo automobilismo com as tecnologias de ponta, além do laço com a ficção científica, incluindo grandes franquias do cinema, que acabam por atrair não apenas aqueles que são fissurados em automóveis. As corridas de drone parecem querer reviver a febre do autorama, nas décadas passadas, ou melhor, no século passado. Só que agora, no século XXI, eles voam.

Liga de corrida de drones

A DRL – Drone Racing League é a liga americana de corrida de drones e fará sua primeira temporada da história, onde os vencedores terão a oportunidade de participar do Campeonato Mundial de Drone Racing. A liga americana tem transimissão pela ESPN e a SkySports, além do canal alemão ProSieben.

No Brasil também já existe uma liga de corrida de drones, a DRB – Drone Racing Brasil, que já realiza corridas há mais de um ano no país. O objetivo maior da liga brasileira, por enquanto, é a realização do primeiro Campeonato Brasileiro de Drone Racing, que será também uma classificatória para o Mundial do Havaí.

Corrida de drones em Miranda do Corvo

Em abril de 2016, em Portugal, aconteceu a primeira corrida de drones do primeiro Campeonato Nacional de Drones, o Portugal Drone Race. Esta primeira corrida, chamada de 1ª Drone FPV Race de Miranda do Corvo, aconteceu no Município de Miranda do Corvo no dia 2 de abril, no Estádio Municipal, com apoio total da prefeitura da cidade.

Houve também no local uma exposição exibindo os drones dos participantes para a apreciação do público. Miranda do Corvo foi o menor lugar do país a receber uma corrida do Campeonato Português, tendo as outras corridas como palco Lisboa, Porto, Braga, Faro e Funchal. A primeira etapa do campeonato contou com o patrocínio de diversas marcas portuguesas e de outros países, de produtos ligados ao universo dos drones.

A corrida teve como participantes 35 pilotos de drones de diversos pontos do país, um número que superou as expectativas dos organizadores. E seria um número ainda maior, já que no total foram 70 inscrições, porém alguns não tinham a idade requerida, e outros não possuíam um equipamento a altura da competição.

Corrida de drone Galeria do Rock

Aqui no Brasil, o Estado de São Paulo recebeu, em outubro de 2016, a primeira corrida profissional de drones do estado. Através do Instituto Cultural Galeria do Rock, a Galeria do Rock, um ponto de comércio tradicional da cidade, foi o local escolhido para o evento, a Drone Racing SP. Essa corrida foi também uma das ações que serviram para promover outro evento, a São Paulo Tech Week.

A Drone Racing São Paulo foi a pioneira no país a seguir os padrões definidos pela Drone Nationals, o padrão internacional para as corridas de drones que delimita critérios a serem preenchidos por pilotos e seus drones, como por exemplo, a obrigatoriedade de LEDs na parte traseira dos drones de corrida.

Mas a 1ª Drone Racing São Paulo não se limitou a uma corrida de drones profissional, abrindo espaço para categorias diversas que atraíram o público. Iniciantes em corridas de drones puderam treinar e testar suas habilidades nos obstáculos oficiais da corrida, e crianças puderam pilotar drones de brinquedo, num ambiente bem democrático que foi criado na cidade de São Paulo.

A pista ocupou um andar inteiro da Galeria do Rock, e a corrida se desenvolveu ao longo de duas voltas nos cerca de 400 metros da pista, preenchida com seis obstáculos, aros por onde os drones deveriam passar.

A Drone Racing São Paulo foi financiada através de uma campanha de crowdfunding, por intermédio da plataforma Catarse.

Corrida de drone em Dubai

O World Drone Prix é um campeonato mundial que teve o que foi considerada a maior corrida de drones do mundo em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em março de 2016. Um total de 150 competidores correram em busca de um impressionante primeiro prêmio de 250 mil dólares, que foi arrematado por um menino inglês de apenas 15 anos, da equipe Tornado X-Blades Banni.

O evento foi organizado pela World Organization of Racing Drones, e as equipes participantes deveriam ter ao menos 4 integrantes cada uma, sendo um piloto, um navegador, um suporte técnico e um patrocinador. As inscrições para o evento foram totalmente gratuitas.

O circuito da World Drone Prix possuia 591 metros de extensão, e o percurso consistia em 12 voltas com obstáculos, com os competidores em busca do menor tempo do percurso, o mínimo possível de penalidades, e ao menos uma parada no pit stop.

A cidade de Dubai aproveitou a ocasião do evento para anunciar que em 2017 sediará a World Future Sports Games, um campeonato mundial para os esportes do futuro, criando uma grande expectativa em torno do futuro não só das corridas de drones, mas de outras modalidades de esportes de alta tecnologia.

Corrida de drone Campus Party

A 10ª edição da Campus Party no Brasil, em fevereiro deste ano, em São Paulo, contou com uma corrida de drones para o 1º Campeonato Brasileiro de Drones, que contou com 31 pilotos de drone do Brasil, além de uma piloto mexicana, que foi convidada pela organização do evento. Entre os 31 brasileiros, apenas uma mulher e apenas 7 eram de fora de São Paulo. Outras etapas do campeonato brasileiro já estavam previstas, com corridas em outros estados.

A disputa foi realizada em baterias entre dois participantes, sendo que o vencedor avança para a próxima fase, e o perdedor ficava de fora da competição. Os pilotos deviam seguir um trajeto luminoso com seus drones no menor intervalo de tempo possível. A organização do evento disse ter pensado o trajeto para beneficiar mais a habilidade de cada piloto do que a velocidade dos drones, diminuindo com isso a importância das diferenças de equipamento entre os pilotos.

A corrida perdeu um pouco em atenção do público porque, quase ao mesmo tempo, ocorreu na Campus Party uma batalha de robôs. O vencedor dessa etapa do Campeonato Brasileiro de Drones foi o favorito Rafael “Spook” Paiva, que já conseguiu vencer duas competições internacionais.

Como montar um drone de corrida

A lista de equipamentos e peças que será relacionada a seguir, serve para que você consiga montar um drone de corrida que seja relativamente bom, que tenha boa durabilidade, que seja simples na hora de montar, e que ao mesmo tempo não custe uma fortuna. Este não será um drone de corrida de ponta, mas é um excelente começo pra quem pretende iniciar como um piloto de drone.

Como montar um drone de corrida

As peças listadas são todas importadas e você terá que comprar em uma loja online. Já existem também algumas lojas brasileiras especializadas em drones, mas você conseguirá somente comprar drones prontos, além de alguns acessórios. Os itens dessa lista saem por menos de mil reais.

  • Chassi Realacc 210 V2 ou Martian II 220
  • Motores EMAX RS2205 2300kv ou DYS SE2205 2300kv
  • ESCs Racerstar MS Series 25A BLHeli_S
  • Controladora Diatone D-Link F3 ou OMNIBUS F3 AIO
  • Transmissor de vídeo TS5823L 200mw
  • Câmera CCD 600TVL Sony Super HAD II (com lente 2.1mm)
  • Hélices King Kong 5x4x3
  • Rádio FlySky FS-i6 (com receptor FS-IA6B)
  • Óculos FPV Eachine EV800 ou Skyzone SKY02S V+
  • Cintas de velcro para prender a bateria
  • Buzzer de 5V
  • Protetores de motor
  • Carregador de baterias IMAX B6AC

Nunca é demais lembrar para os aspirantes a piloto de drone que, se não parece tão caro assim para se tornar um piloto, os equipamentos profissionais saem bem mais caros, e além disso, mesmo que você queira somente correr com os seus amigos, uma corrida de drones vai quase certamente ter algum choque que danificará seu equipamento, portanto o investimento para manter essas maquininhas infelizmente não é para qualquer um.

Não vale juntar dinheiro o ano todo e acabar com a brincadeira numa única corrida, sem ter a possibilidade de recuperar o equipamento. Se é esse o seu caso, use o drone em corridas livre, seguras e sem obstáculos, para poder curtir seu drone por muito mais tempo. Não importa a habilidade do piloto, correr a mais de 100 Km/h não dá garantia nenhuma.